PRIMEIRO DIA
PRIMEIRO DIA
“Garantir a liberdade” se tornou sinônimo de atentado à soberania
Por Pedro Madureira
12/06/26
Hoje (12/6/2026), na assembleia da ONU, O Reino Unido se posicionou a favor do discurso dos EUA, uma das maiores ameaças imperialistas da atualidade. Entenda a seriedade.
De contradições em contradições, o país que mais luta pelo reconhecimento à sua própria soberania, ao ponto de restringir o acesso e perseguir os imigrantes que ali buscam abrigo, desafia a de outros com um discurso libertário completamente antiquado, abstrato e incompreensível. Percebe-se, em comportamentos como o dos Estados Unidos e o de Israel (países responsáveis pelas últimas maiores catástrofes no que diz respeito à conflitos internacionais) que o imperialismo, o mesmo que fomentou a segunda guerra pelas potências do Eixo, volta ambicionando domínio, controle e monopólio de matéria-prima, recurso econômico limitado e cada vez mais escasso. Graças a essas novas ameaças, ressurge, na sociedade contemporânea, novamente a necessidade de ampliar o acervo militar.
O aumento considerável de conflitos também resulta em uma quantidade cada vez maior de refugiados pulando de fronteira em fronteira em busca de abrigo. Nesse viés, O discurso de obstrução das fronteiras, a fim de se “proteger” da ameaça a soberania provinda de imigrantes de guerra é muito reproduzido pelo país em questão, e foi apoiado em uma assembleia recente pela delegação do Reino Unido, revelando uma contradição, visto que o próprio Reino Unido se faz disponível para abrigar refugiados e fornecer auxílio. Se pudéssemos sugerir um posicionamento coerente, vale revisitar a linha de pensamento do México, por exemplo, país que faz fronteira com os EUA e incentiva exatamente o apoio e proteção aos imigrantes, atitudes que constam, mesmo que defeituosamente, em nossa constituição.
Reivindicar a cooperação entre os países é essencial para que os direitos humanos sejam devidamente atendidos, e apenas um pouco de humanidade já é capaz de entender que fornecer abrigo a refugiados é o mínimo que uma nação deve fazer perante a atual situação geopolítica. Os problemas apontados para a maior flexibilidade de imigração não sentam na mesma mesa que a vida e a dignidade de nossos cidadãos, os cidadãos do mundo.
Foto de: Sophia Barros
SEGUNDO DIA
Triagem, cooperação internacional e programas de integração são algumas da soluções cotadas na ACNUR de 2026
Por Pedro Madureira
13/06/26
Ações voltadas para o acolhimento de refugiados e proteção da soberania foram discutidas com muita propriedade pelas delegações em ambos os dias do evento, aqui, serão analisadas as que formaram consenso entre as nações presentes.
A princípio, sempre haverá desavenças ideológicas entre países e seus respectivos posicionamentos políticos, por isso, é sempre de extrema importância que ocorram essas reuniões no intuito de chegar em consensos e estabelecer tratos, quer sejam formais ou informais, entre as delegações. Nós definitivamente não achamos que um país é 100% humanitário em suas atitudes, portanto a transparência que o encontro exigiu foi de suma importância na criação de combinados justos entre as nações. Nossos sinceros elogios.
A triagem surgiu como uma solução unânime à travessia de grupos terroristas entre as fronteiras, a qual fará a verificação de antecedentes do imigrante tal como uma revista a fim de se prevenir de drogas e armas entrando no território, assim contribuindo para uma maior segurança internacional. Apesar de, na teoria, a ideia ser boa, ela tem algumas lacunas, principalmente quando se trata de grupos que usam violência como principal trunfo, visto que as fronteiras, dada a aplicação, passarão a ter uma fiscalização refinada e, consequentemente, cara, se tornando um problema para os países com uma economia fragilizada, que são justamente os mais afetados por essas ameaças.
Outra proposta que ganhou força foi a de realocação de refugiados para países mais estruturados (apontados os do norte global). Também foi considerado que imigrantes forçados sejam transferidos para regiões cuja cultura e idioma sejam iguais ou semelhantes ao seu. No contexto do debate, de fato se mostrou uma ideia a ser cotada, porém, antes da implementação, devem ser analisados aspectos de cunho social que serão determinantes para a adesão ou não da intervenção. Claro que a integração social e os auxílios devem ser muito bem aplicados para essas pessoas poderem viver no mínimo uma vida digna, porém, levando em consideração pontos como a xenofobia e os subempregos que os refugiados se sujeitam a trabalhar, se tornando quase que uma espécie de dekasseguis ocidentais, o país receptor deve fazer fiscalizações recorrentes da condição de vida do indivíduo, a fim de melhorar o bem-estar social da população, o que demandará um investimento muito maior porém necessário.
Essas foram duas das muitas reflexões levantadas no ACNUR, coerentes, concisas, mas que precisam ser revisadas e complementadas. Essa é, sem dúvida, uma discussão muito complexa, e nós, do The Guardian, parabenizamos cada uma das delegações no empenho em levantar soluções palpáveis para um dos maiores, se não o maior ponto de interrogação do cenário geopolítico atual.
Foto de: Sophia Barros
Na África e na Ásia, 28 países passam por conflitos armados; por que esse tipo de informação não alcança as pessoas?
Por Pedro Madureira
13/06
“Pois é, tendo dinheiro não há coisas impossíveis”. Essa frase de Belchior (1946–2017), artista da Música Popular Brasileira, é a melhor maneira de começar uma dissertação sobre abafamento de informações. O dinheiro, o capital, como quer que você queira chamar, é, de fato, capaz de coisas impossíveis, manobras como censurar a mídia e criar uma cortina de fumaça já se tornaram rotina para países como EUA, que são diretamente beneficiados por essas intervenções terroristas.
Hoje (13/6/2026), no segundo dia do ACNUR, houve um acontecimento que reafirma a problemática: Uma mulher inconformada invadiu a cúpula clamando pelo reconhecimento de sua situação e do seu povo, o povo palestino, invisibilizada por uma mídia completamente controlada pelos responsáveis.
A falsa sensação de paz é uma bomba relógio, que pode estourar a qualquer momento. E reações do tipo: “Como assim?”, ou “Impossível!” são exatamente o que as grandes potências desejam. Por isso, segue algumas guerras para ficar de olho e ampliar horizontes:
Burkina Faso: Enfrenta uma guerra civil desde 2015 e sofre ataques em vilarejos, comboios e bases militares pelos membros do grupo JNIM (afiliado à Al-Qaeda). Deixou dezenas de milhares de vítimas e 2 milhões de pessoas sem casa.
Somália: Conflito civil que assola a região desde 1991, controlada pelo grupo terrorista Al-Shabaab. Essa guerra criou uma das maiores crises humanitárias do mundo, deslocando milhões de pessoas que passaram a depender de ajuda internacional.
Níger: Em 2025, foram mortos dezenas de soldados sob ataques de Estado Islâmico do Sahel e do JNIM, os quais ainda exercem controle autoritário na região.
Mali: Guerra que está em voga desde 2012 chegou a matar 150 crianças em 6 meses. Se trata de um conflito que envolve o governo, rebeldes tuaregues e grupos jihadistas
Nigéria: Intervenções de grupos como Boko Haram e ISIS-West Africa Province já causaram centenas de milhares de mortes e deslocou milhões de pessoas no território nigeriano.
Mulher palestina protesta em plena sessão da ACNUR, enquanto denuncia grupos terroristas em seu país.
Foto de: Sophia Barros